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quinta-feira, 9 de maio de 2013

O CORPO DO REI


VIGARELLO, Georges. O corpo do rei. In: História do corpo. Tradução de Lúcia M. E. Orth; 2. Ed. Petrópolis; Rio de janeiro; Vozes, 2008. 504-534 p.


George Vigarello trás em seu texto o corpo do rei a resposta sobre a indagação de como era visto e compreendido o corpo, e como era entendida a sua importância, possibilitando pensar o papel do corpo no novo tempo. O corpo do rei.
Graças ao lugar do rei, seu corpo obtinha visibilidade, está trazia consigo a exaltação de suas características físicas, espiritual, sobrenatural e de sangue. Seu corpo, sua pele, seu rosto, seus olhos, tudo era belo, másculo. Seu porte, sua voz poderia ser comparadas a Deus, inclusive as suas habilidades físicas, pois parecia ter resistências corporais e poderes que beiravam o sobrenatural ao ponto de acreditar que acidentes que machucavam um homem normal o matinha ileso e de um simples toque do rei poderia curar uma pessoa.
O corpo do rei fazia parte de um organismo, neste ele era a cabeça e seus membros seriam todos os seus súditos, aqueles que a ele deviam toda e total submissão. Esse corpo estava ligado diretamente com o poder do estado.
O rei possuía dois símbolos de corpo, o místico, e o natural. Apesar de todas as superstições que cercavam o rei e lhe dava este status de poder, sabemos que ele era um homem comum, que poderia amar, pecar, morrer. Esta era o seu corpo natural, o corpo falível. Porém um homem que morre prejudicaria a ideia de estabilidade do governo, por isso existia o corpo místico, este trazia a ideia de que o rei era livre de cair em qualquer erro que um homem comum cairia, ele não erra, desprovido de passado, de infância, esse nunca morrerá. A eternidade era o seu ponto forte.
Não podemos comparar o duplo corpo do rei com o de Jesus Cristo, pois apesar de ter sido provavelmente pensada através dele, o corpo natural vai se divergir, pois o corpo de cristo era verdadeiro e os corpos natural e místico do rei vivem junto todos os momentos, em uma só pessoa.
O duplo corpo do rei se divergia por região, na Inglaterra era uma linguagem jurídica, já na França era mais visual. Outra diferença era a questão do sangue que na França era bastante forte, o medo do adultério estava sempre presente, e caso houvesse uma suspeita da linhagem dos herdeiros eles eram desqualificados. Na Inglaterra não, o sangue seria apenas mais uma das características que compunham as de um rei. O corpo místico também vai se divergir entre esses dois estados, na Inglaterra esse corpo vai simbolizar o campo politico, na França o divino.
Contudo, esses dois corpos vão mudar com o absolutismo, nesse momento ocorre uma união entre o corpo natural e o corpo místico, o rei se aproxima do divino, ele poderia tocar em doentes e esses doentes eram curados, isto é, o poder do rei era símil ao de Deus.
Quando o rei morria, não mais o seu sucessor precisava esperar o seu funeral, agora quando fosse dado ultimo suspiro o outro já podia assumir.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

AS ARTES


No livro História do Mundo Feudal II/2 no capitulo VII: As artes, escrito por Mario Curtis Giordani tem como foco retrata as artes que se formaram durante a Idade Média e suas características. Para ele as artes levam com excelência rapidamente até a qualquer lugar, e sem duvida podemos afirmar que neste caso a arte monumental é mais rica em detalhes, e informações mais precisas sobre o período da Idade Média.
A arte românica emergiu durante os séculos XI e XII. Porém é importante acentuar que essas obras que foram produzidas nesse período não eram denominadas arte românica nos séculos que foram citados. Entre todos os países que construirão esse tipo de arte percebe-se que a distinções em relação a sua estrutura, como por exemplo: a França e a Itália. Podemos encontrar entre dezesseis a dezessete tipos de distinções.Este arte trás consigo a expansão do cristianismo, elas exaltam Deus em toda sua formosura, onipotência, onipresença e onisciência.  Grandes construções, grandes como a superioridade, e eram tão solidas quanto a sua autoridade.A arte românica recebia bastante influencia dos povos orientais e bizantinos, de construções clássicas dos romanos e do novo mundo que surgia no século XI. Ente suas características mais importantes estava à originalidade, pois a arte românica não apenas foi influenciada, mas foi também modificadora ao contexto social atual. Por esse motivo que possuía características diferentes em todos os países.Em Lombardia a influencia vinha do oriente da França pela presença de eclesiástico e da Alemanha pela proximidade. As características principais que podemos destacar são a abobada de arestas, os pilares compostos, os contrafortes e a alternância de elementos fortes e fracos. Na toscana encontramos conservadorismo e um pouco de inovação juntos. Um exemplo de arquitetura românica nessa região é a torre de pisa. Borgonha obteve uma influencia de um grande domínio, Borgonha, Franco-Condado, Suíça Romana, e Lionês. La temos a Igreja abacial de Cluny, igreja de Paray-de-Monial, que se referem a arte românica.A escultura medieval existe para a arquitetura, por que ela é produzida antes para a arquitetura. Essas esculturas tinham como objetivo embelezar as igrejas, e obtinha êxito. Fazia surgir aos olhos, os enredos que a bíblia trazia, e materializava os seres que nela apareciam. Uma característica bastante forte da arquitetura é o irrealismo, pois, as obras quase sempre tomavam proporções diferentes do que era real.A forma que mais influenciou a expansão das esculturas românicas foi a peregrinação. Aos poucos a arte românica foi aumentando o seu território, sem podermos confirmar ao certo quando foi seu nascimento.A pintura românica abrangeu uma enorme área, tanto no lado profano, quanto no lado sagrado. Frequentemente encontrava-se a pintura românica nas igrejas. A pintura românica tinha duas tendências, eram elas a arte oficial e a arte popular. Tinha uma influencia oriental e da síria expressão em suas características: rígida, rebuscada, espontânea, e movimento.Mas tarde surge a arte gótica, em seu processo lento, este surge com formas de pensar e de interpretar os espaços de forma divergente a arte românica. Enquanto a arte românica denota passividade, e diversidade a arte gótica denota dinâmica e homogeneidade. O gótico viria a surge justamente por uma necessidade politica, econômica, social e ideologia. Enfraquecendo a arte românica.A arte gótica nasceu nas cidades e podemos afirma sua origem na Ilha-de-França, e influencia bastante a arte na religião, e sua principal característica é o arco de ogiva. Uma das igrejas que pode representar bem o apogeu da arte gótica é a catedral de Chartres. Seus vitrais criavam um ambiente com pouca luminosidade, mas de tons diferentes, criando um sentimento diferente, podemos até afirmar que seria como se não estivesse mais na terra.Todo o processo de transformações da arte românica à arte gótica ficou conhecido como “época das estatuas colunas”. As esculturas como todas as outras artes surgem em um lugar e depois vem sofrer influencia do local de sua criação, se transformando de modo a se adaptar ao local e as suas concepções. Podemos resumir a definição das esculturas góticas em: natural, pois buscava reproduzir a realidade com fidelidade; dinâmica, que tinha o objetivo de ensinar, principalmente no lado religioso; tranquila, trazendo Cristo primeiramente e depois Maria como a imagem principal, não mais aquela imagem do Deus punitivo, mas sim de um Jesus amoroso; abundancia; e finalmente de clareza, porque a beleza só tinha um caminho, a ordem. Como exemplo do apogeu das esculturas góticas, podemos citar duas catedrais a de Amies e de Reims.Segundo o autor as mais belas pinturas a encontradas são a dos vitrais, discurso plausível, pois além da beleza que possuem, existe ainda outro aspecto que já foi até citado que é o da sensação que produz transformando os raios do sol que passam por elas, criando tonalidades diferentes pelo fato de serem produzidas com pedaços de vidros coloridos.As pinturas das tapeçarias também possuíam uma beleza espetacular, essas peças inspiravam até mesmo obras literárias profanas.Ao falarmos de Idade Média e de arte, pensamos logo em arte religiosa, mas existia o outro lado: a arquitetura do campo profano. Encontradas principalmente nos edifícios públicos, residências, fortalezas, castelos.As cidades se fundavam em locais que fossem apropriados para proteção alimentação e abastecimento de água. No centro sempre tinha uma igreja e ao seu lado tinha uma praça que era o ponto comercial. Tinham as cidades: lineares, cruciais, nucleares. As cidades normalmente recebiam seus nomes por alguma característica que possuíam.Na musica não podíamos deixar de citar o canto gregoriano que só veio se definir em 1200, que foi a fonte em que bebeu tanto os cristões como a musica ocidental. A Idade Média contribuiu com três invenções, os tropos, a polifonia e a notação neumatica. Este capitulo é muito interessante e instrutivo, porém possui uma leitura bastante cansativa em relação aos detalhes em demasiado que possui. Ele proporciona uma viagem à arte da Idade Média, e nos permite conhecer as características peculiares. 

quarta-feira, 18 de julho de 2012

O MEDO DO HOMEM MEDIEVAL



O homem medieval tinha medo de tudo, dentre todos esses medos, estava o medo do anticristo e do fim do mundo. O medo do fim do mundo se expandia graças as desgraças que sempre estavam presentes, seriam sinais para demostrar que o fim do mundo estava cada vez mais próximo. Acreditavam que a peste era punição de Deus. Tudo de ruim era interpretado pela igreja.

Diante de tanto mal eles tinham que ter alguém pra culpar, era satanás. Que ao mesmo tempo era temido, ele era tudo de ruim que poderia existir. O diabo estava ligado com o fim do mundo. E podemos afirmar que ele tem duas interpretações: uma popular; e elenista.

Como se não bastasse “o diabo ainda tinha pessoas que o ajudavam” como os idolatras, mulçumanos, os convertidos e os judeus. As mulheres eram propicia a fragilidade em relação aos demônios, foi através da mulher que o caos se instaurou no mundo. O medo dela vinha também, do que ela produzia no homem, os desejos da luxuria. A mulher era maliciosa, briguenta, falsa e falava demais, era comparada ao mal. O medo era tamanho que a mulher era por um pequeno desvio qualquer camada de feiticeira.

Para concluir, podemos afirmar que na Idade Média tudo que não fazia parte do mundo cristão fazia medo, por que se não fosse cristão não era divino. A visão de mundo que eles tinham não permitia que eles conhecessem varias verdade, mas sim apenas uma única verdade, imutável. E não podia desconfiar da palavra nem em pensamento

O CASAMENTO NA IDADE MEDIEVAL


O casamento na Idade Média tinha uma importância fundamental em vários aspectos (familiar, econômico e politico), porém não tinha nada haver com o amor. Há preocupação maior era não descentralizar a herança da família.

Após o casamento a família formada não iria para uma nova casa, na maioria das vezes iam para a casa do pai do noivo ou da noiva quando ela não tinha irmãos. A construção de uma nova casa era complicada então começaram a se formar verdadeiras “comunidades familiares”. O casamento era a forma mais fácil de formar e manter alianças, os casais algumas vezes chegavam a ser prometidos um ao outro ainda no berço. Era uma forma do pai da noiva escolher quem de certa forma o iria suceder. No caso de uma menina órfã, suas terras eram administradas por outra pessoa até ela completar idade de casar (entre 13 ou 14). Se ela recusa-se o noivo escolhido à única alternativa que sobrava era um convento.

Para a igreja católica o casamento deveria ser realizado por vontade própria tanto do noivo quanto da noiva e depois que o casamento fosse realizado e consumado, não podia mais ser desfeito, portanto o divorcio esta fora de cogitação. A única exceção ocorreria caso fosse descoberto um grau de parentesco bastante próximo entre os esposos, no que resultaria na anulação do matrimonio.

O casamento era pra vida toda, não importava se a mulher era perturbada e preguiçosa ou se o homem era um libertino e bêbado, um tinha que aguentar o outro até o ultimo segundo de vida. Um comportamento contrário ao discurso da igreja acarretava numa “excomunhão e em uma reprovação social”.

A escolha de uma noiva e feita pelas pessoas mais próximas da família, principalmente o pai e a mãe. O noivado era uma cerimonia bastante importante era até mesmo registrado pela igreja. Havia a troca de anéis, o homem recebia um e a mulher outro, ambos juravam fidelidade eterna. Aos futuros esposos era perguntado se juravam casar-se um com o outro. Era finalizado e aproximadamente 40 dias depois haveria o casamento.

O casamento praticamente mal se diferenciava do noivado, era realizado durante o dia, e se vestiam com suas melhores roupas, poderiam usar qualquer cor de vestido, porém a classe era mais comum utilizar, a cor que as mulheres preferiam era o vermelho, mas como um tecido com esta cor custava muito apenas às mulheres ricas utilizavam um vestido desta cor..

A esposa entrava na igreja do lado esquerdo do noivo era uma precaução, caso alguém tentar-se rouba-la ele estaria com a mão direita livre pra sacar a espada e defender sua mulher. Assistiam a missa e eram cobertos pelo véu nupcial.

Ao longo da missa, os conjugues dividiam, segundo os rituais que vinham de uma região para outra, um pedaço de pão, ou uma hóstia benta, e bebiam na mesma taça de vinho bento. Levantavam em seguida um círio ao altar da virgem, onde a noiva pegava uma roca e fiava durante alguns instantes. Finalmente reconduzido pelos amigos e pelo clero até a porta da igreja, entravam no cemitério e iam rezar sobre os túmulos de seus mortos, o que não deixava de evocar rituais muito antigos: a família estava presente, inclusive os ancestrais mortos. (D’ Haucourt, 1944, pag. 108)

Após todo esse ritual todos iam festejar, jogavam sobre o casal grão de arroz que tinham como finalidade desejar fertilidade, eles diziam: “plenté, plenté” significava abundância. Em casa havia um grande festejo com vinho, comida e diversão. O padre benzia com agua benta o leito nupcial. O casamento só era consumado no segundo dia.

Quando o casamento era do senhor feudal ou de um rei, as festas duravam dias, havia distribuição de comida e os vinhos estavam nas fontes publicas, porém todos iriam participar dos gastos (D’ Haucourt, 1944). As pessoas levavam bolos e conforme eles iam chegando eram colocados um em cima do outro, dai veio a inspiração para o bolo de casamento da forma que ele é hoje.

No século XIV as mulheres começaram a jogar o buque, era uma maneira de dar sorte do casal as amigas e ajudar elas a conseguirem um casamento. Os buques surgiram bem antes na Grécia e na Roma antiga, porém na Idade Medieval ganha novo significado, quando antes era formado por ervas, para espantar os maus espíritos, na Idade Média a noiva recebia as plantas dos convidados com significado de desejar boa sorte e de desejar felicidade. Mas tarde trocada por flores que simbolizavam a fertilidade.

O NASCIMENTO NA IDADE MEDIEVAL


O nascimento trazia bastante alegria, era motivo de comemoração, não importava quantos filhos um casal tinha, podia ser um número considerável, porém a vinda de mais um é sempre bem-vinda. Não era considerado também o status social. O exemplo sempre vinha das famílias mais ricas, dos casais reais, que checavam a ter aproximadamente 11 filhos como foi o caso de São Luiz e de sua esposa Margarita de Provença.

Graças à alta taxa de natalidade, o repovoamento era rápido, após os desastres como as guerras, destruições, cruzadas, pestes, entre outros. Caso houvesse um aumento considerável de pessoas não havia preocupação, pois sempre há ampliação de mosteiros que permitia o reconhecimento de homens.

A influência de gerar vários filhos vinha principalmente da igreja. Sempre havia imagens religiosas e vitrais que “representavam a natividade da Virgem Maria” ou ate mesmo imagens do nascimento de uma criança dentro de uma família burguesa.

Após o nascimento o bebe era enfaixada e seus cueiros eram fechados, colocavam-se uma touca em sua cabeça. Os cueiros incomodavam as crianças e eles começavam a chorar, para acalma-los eram acalentados movendo-o em seus braços.

Nas famílias mais pobres os berços eram produzidos com troncos de arvores que eram esvaziados. Nas famílias mais ricas podiam ser feitos de madeira ou de metais preciosos.

Uma boa parte das mães cuidava e amamentava seus filhos. Porém as mulheres principalmente da nobreza, não costumavam se preocupar com essas tarefas. Por motivos de falta de interesse das mães, ou causa do emprego e até mesmo de falta de experiência com bebes, as mães contratavam uma ama-de-leite para cuidar de seus filhos. Mas tarde elas transformaram esses afazeres em profissão e passaram a reivindicar exigências como: comer e beber a vontade; descansar.

Assim que nascia o primeiro pensamento de todos era batizar a pequena criança o batismo ocorria aproximadamente três dias após o nascimento, não podiam esperar muito já que tinham medo de a criança morresse antes, pois se isso acontecesse o bebe não poderia usufruir do reino dos céus.

A criança possuía em média dois ou três padrinhos e os mesmos eram responsáveis por escolher o nome da criança. Na cerimonia emergiam o corpo da criança completamente nu dentro da pia batismal, onde logo saia, era enxuto e novamente vestido. Somente entre os séculos XII e XV que se optou por colocar apenas a cabeça, da mesma forma que é aplicada atualmente na Igreja Católica. A partir dessa cerimonia a criança estava oficialmente iniciada no cristianismo, era levada a mãe e a ela era revelado o nome do seu filho, aa mãe o recebia com amor e beijos. Havia comemorações e todos os vizinhos eram convidados. Se o nascimento fosse de um príncipe, todos os súditos eram convidados, e a boa nova era levada para as regiões circunvizinhas, os sinos tocavam, eram celebradas missão, os prisioneiros eram libertados, havia danças e fogueiras.

A mãe repousava até recupera suas forças, e durante esse tempo recebia a visita de amigas, se por um acaso a família a qual pertencia fosse rica todo tesouro que possuíam eram colocados no quarto para fascinar as visitas, entre esses objetos estavam, peles, pratarias, sedas, entre outros.

Ao recuperar-se antes de voltar pras atividades normais a mulher ia a igreja para receber as preces de purificação, atitude que era obrigada, pois sem passar por essas preces não poderia voltar a participar da sua religião.