sexta-feira, 10 de abril de 2020

RESENHA: HISTÓRIA REGIONAL E LOCAL

NEVES, Erivaldo Fagundes. História Regional e Local: fragmentação e recomposição da história na crise moderna. Feira de Santana: Universidade Estadual de Feira de Santana, 2002. 124 p

O livro, “História Regional e Local: fragmentação e recomposição da História na crise da Modernidade”, foi lançado no ano de 2002 pelo historiador Erivaldo Fagundes Neves.  É definido enquanto classificação de gênero como pertencente à História e a Geografia, e como classificação de subgênero como História do Brasil e do Mundo. Esta obra foi produzida pela Universidade Estadual de Feira de Santana e pela Editora Arcádia. Sobre as características físicas do livro destacamos o seu formato que é de 14x21 cm, com mancha gráfica de 9,5x18 cm, tipologia garamod (tamanho11), miolo com papel offset 75 g/m2, e capa com cartão supremo 250 g/m2. É uma primeira edição com uma tiragem de 1.500 exemplares. Acerca da equipe de realização temos o trabalho de capa de Menandro Ramos, editoração eletrônica de Caio Gonzaga Farias e Menandro Ramos, revisão ortográfica de Évila de Oliveira Reis Santana e normalização bibliográfica de Graça Maria Dultra Simões. O livro trata sobre as transformações do mundo e da própria história, inclusive, acerca dos fatores que permitiram o estudo da História Regional e Local no mundo e no Brasil. “História Regional e Local” possui 124 páginas. Divide-se em: prólogo (07-10 p.) que explica todas as conjunturas que envolvem a produção historiográfica, desde as motivações e objetivos para a sua construção até os seus resultados; 07 capítulos, modernidade (11-27 p.), nova história (28-44 p.), história regional e local, (45-61 p.), o IHGB na formação da historiografia brasileira (62-73 p.), a universidade na consolidação da historiografia brasileira (74-85 p.), história regional e local no Brasil (86-94 p.), e fontes e métodos da pesquisa histórica regional e local (95-103 p.); Epílogo (104 -106 p.); referências bibliográficas (107-118 p.), entre elas, inéditos, periódicos, cadernos e livros; e, por fim, os modelos de fichas catalográficas (119-124 p.) que têm como finalidade a coleta de dados. Podemos encontrar fichas de leitura de testamento e inventário, de bens e imóveis, de leitura de escritura de imóveis, de leitura de correspondência, de leitura de escrituras de escravos, de leitura de documentos diversos, de leitura de cartas de liberdade de escravos, e de leitura de registro paroquiais de terras. O autor inicia discorrendo acerca do conceito de modernidade. O moderno emerge em uma sociedade transformando-a, tanto nas relações sociais quando nas práticas comportamentais. As transições entre os períodos históricos demostram bem essas profundas transformações no modo de vida da sociedade. A Idade Média deu espaço para a Idade Moderna, esta deu lugar a Idade Contemporânea, e ao direcionarmos o olhar, para ambas as rupturas, vamos perceber uma troca entre o que era avaliado como ultrapassado por algo que era considerado moderno, inovador. O novo, a novidade, chama a atenção da população, principalmente, dos mais jovens que acabam por absorver os novos valores com uma maior aceitação e, assim, terminam por modificar os seus hábitos, o seu cotidiano, o que, na maioria das vezes, resultou no descontentamento das pessoas de idade mais avançadas. Apesar das bonanças que podem ser trazidas pela modernidade, ela entrou em crises, da mesma maneira que o campo científico e a escrita da história. A arte de fazer história, através de um movimento iniciado na França pela Escola dos Annales, sofreu intensas modificações ao abranger as temáticas e as fontes que poderiam ser objetos das análises dos historiadores. Este processo resultou em uma maior flexibilidade nas fronteiras do profissional permitindo um dialogo com outras áreas de conhecimento, por exemplo, psicolinguística, etnohistória, sociobiologia, antropologia histórica, entre outras. Na terceira geração dos Annales o campo de estudo havia se ampliado ainda mais. Influenciados pela Ciência Social, alguns historiados propuseram a modificação no campo de análise da história incorporando, entre tantas modificações, interpretações de fenômenos particulares e relações de alteridade. Portanto, o contexto da Nova História permitiu que o historiador adentrasse na História Local através do uso de fontes como: as listas de preços, certidões de nascimento, batismo, casamento, óbito, etc. Sendo assim, a história regional e local, pode ser definida como um estudo pautado em uma base territorial com vínculo de afinidade em que podemos verificar as suas interações internas e externas. Para realizar este tipo de pesquisa é primordial iniciar pela identificação das fontes e recursos metodológicos que mais bem possam contribuir para o trabalho realizado. Entretanto, devemos ter como pressuposto que a escrita da história é sempre incompleta e que nenhum pesquisador deu/dará conta de realizar um trabalho acabado, sempre restou/restará às lacunas. No Brasil, a partir da criação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, ao tentar criar um Estado Nacional e uma História Oficial, a história do país resultou por caracterizar-se como um recorte regionalista, porque exaltava as elites locais. Com a instauração de universidades no Brasil e a implantação de cursos de histórias a historiografia passou a adquirir outras dimensões, isto é, os historiadores passaram a se enveredar por novas metodologias de investigação e a ler, pesquisar e usar outros teóricos. Neste processo surgiu a proposta de estudar a história regional e local. Para o seu desenvolvimento preferiu-se utilizar como fontes às documentações municipais, eclesiástica e cartorial, entretanto, vamos encontrar também outras bastante importantes como os arquivos particulares, os jornais, as orais, que são utilizadas tendo como intermédio o método histórico. Este é baseado em um conjunto de regras que, segundo Deihnl, pode ser esquematizada em: sistematizar a experiência; normas de pesquisa; critérios de sentidos; método interpretativo; método analítico; e método da dialética. O autor do livro fez uma boa escolha acerca da divisão do livro e dos temas abordados em cada capítulo, em que com maestria faz uma ligação entre cada um deles nos fazendo acompanhar todo o processo de formação e de metodologias empregadas na pesquisa da história regional e local. Acredito que o diferencial deste trabalho, além das importantes contribuições que sua escrita produz, é os modelos de fichas para coletas de dados que podem auxiliar na pesquisa do historiador e, até mesmo, do estudante de história que está iniciando o seu processo de investigação. A obra de Neves é uma pesquisa bem estruturada que remonta o processo pelo qual se tornou possível o estudo da história regional e local. Com isso, tem uma validade considerável para a academia. É um livro indicado para estudantes e profissionais da área de história que pesquisem e/ou se interessem pela temática abordada. Neves é natural do distrito de Bonito, onde hoje é a atual cidade de Igaporã. Filho de Joaquim Fagundes Chaves e Adelina Rodrigues Neves. Atualmente é casado com Ivone Freire Costa, doutora em sociologia econômica e das organizações, com quem tem dois filhos. Ele Cursou Licenciatura em História na Universidade Católica do Salvador (1976), possui Especialização em Conteúdos e Métodos do Ensino Superior na Universidade Federal da Bahia (1977), Mestrado em História Pontifica na Universidade Católica de São Paulo (1985) e Doutorado em História na Universidade Federal de Pernambuco (2003) sandwich na Universidad de Salamanca, na Espanha. Suas pesquisas são de forte impacto tanto no âmbito nacional quanto internacional. Atualmente tem vinculo profissional com a Universidade Estadual de Feira de Santana através do departamento de Ciências Humanas e Filosofia. Entre as suas principais obras, destacam-se, “Crônica, memória e história: formação historiográfica dos sertões da Bahia” (2016), “Escravidão, pecuária e policultura; Alto Serão da Bahia, século XIX” (2012), “Uma comunidade sertaneja: da sesmaria ao minifúndio (um estudo de História Regional e Local)” (2008), entre outros. Esta resenha foi elaborada por Juliana Karol de Oliveira Falcão, graduada em Licenciatura em História na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), graduanda em Letras-Espanhol (UEPB), aluna do Curso de Pós-Graduação em Lato Sensu em Estudos em História Local – Sociedade, Educação e Cultura (UEPB).

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